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Impermeabilização e controle de umidade no sistema Wood Frame

  • Foto do escritor: ABWF WIX contato.abwf@gmail.com
    ABWF WIX contato.abwf@gmail.com
  • 20 de jan.
  • 6 min de leitura

O controle da umidade é um requisito técnico fundamental em qualquer sistema construtivo. Manifestações como umidade ascendente em paredes de alvenaria, patologias em pisos cerâmicos ou de madeira, infiltrações em coberturas e falhas em esquadria são problemas conhecidos da construção civil, independente do sistema adotado.


Quando não tratada adequadamente, a umidade pode comprometer a durabilidade da edificação, reduzir o desempenho térmico e favorecer a proliferação de fungos, com impactos diretos na salubridade dos ambientes e na saúde dos usuários. Esse é o conceito de “casa sadia” ou “casa doente”


Em sistemas construtivos contemporâneos, como o Wood Frame, as soluções técnicas para o controle da umidade estão amplamente consolidadas. O desempenho esperado, no entanto, depende da correta aplicação dessas soluções desde a fase de projeto, com especificação adequada de materiais, detalhamento das interfaces construtivas e controle rigoroso da execução.



Critérios normativos, desempenho e durabilidade das edificações

As edificações em Wood Frame tem durabilidade equivalente às construções com alvenaria. Casas centenárias em woodframe estão por toda parte nos EUA e Canadá, onde essa tecnologia já é utilizada em edificações há quase 200 anos. Essa durabilidade está diretamente relacionada ao controle adequado da umidade ao longo de toda a vida útil do edifício. No contexto da engenharia contemporânea, a impermeabilização deixa de ser tratada como uma etapa isolada da execução e passa a integrar o conjunto de decisões técnicas tomadas ainda na fase de projeto, influenciando diretamente o desempenho, a segurança e a longevidade da edificação.


A ABNT NBR 16936, que regulamenta o sistema construtivo Wood Frame no Brasil, estabelece diretrizes claras para o tratamento das interfaces construtivas, a especificação de materiais e a organização das camadas que compõem pisos, paredes e fachadas. Esses critérios dialogam de forma direta com os requisitos de desempenho definidos pela ABNT NBR 15575, reforçando a necessidade de uma abordagem sistêmica para o controle da umidade.


Umidade como parâmetro de desempenho no Wood Frame

A madeira é um material higroscópico, com capacidade de absorver vapor d’água presente no ar e, em determinadas condições, água em estado líquido. Por isso, deve haver o controle da umidade adequado, pois mantendo a madeira com baixa umidade, garantimos a longevidade. Caso não sejam aplicadas as técnicas corretas, com o aumento da umidade da madeira podem ocorrer manifestações patológicas associadas ao crescimento de fungos, à corrosão de elementos metálicos de fixação e à variação dimensional das peças estruturais, comprometendo o desempenho e a vida útil da edificação.


As fontes de umidade que atuam sobre uma edificação podem ser externas ou internas. Entre as externas estão a água de chuva, a umidade do solo, a condensação e a umidade relativa do ar. As internas estão relacionadas ao uso e à ocupação da edificação, como banhos, cocção de alimentos, atividades domésticas e condições inadequadas de ventilação.

Diante desse cenário, o sistema construtivo em woodframe deve ser projetado para impedir o contato direto da água na forma líquida com os elementos de madeira da estrutura interna da parede, controlar a migração de vapor d’água e permitir a drenagem e a secagem das camadas construtivas sempre que necessário.


Estratégias integradas de controle de umidade

O controle da umidade no Wood Frame se baseia em estratégias complementares que envolvem vedação, drenagem, ventilação e seleção adequada dos materiais. Essas estratégias não atuam de forma isolada e devem ser consideradas de maneira integrada desde a concepção do projeto.


A vedação adequada das superfícies e das interfaces construtivas reduz a entrada de água em estado líquido, especialmente em áreas expostas à chuva e em ambientes molhados e molháveis. A drenagem permite o escoamento da água que eventualmente alcance as camadas externas da edificação, evitando seu acúmulo junto aos elementos estruturais. A ventilação, por sua vez, contribui para a secagem dos componentes construtivos, reduzindo o tempo de permanência da umidade no sistema.


A durabilidade do conjunto também depende da utilização de madeira tratada e de materiais compatíveis com as condições de exposição previstas em projeto, em conformidade com os requisitos normativos.


Impermeabilização em áreas molhadas e molháveis

As áreas molhadas e molháveis, como banheiros, lavabos, cozinhas e áreas de serviço, demandam sempre atenção específica, em qualquer sistema construtivo. Nessas regiões, a impermeabilização deve ser contínua e integrada às soluções de piso e parede, formando uma barreira eficaz contra a infiltração de água. A NBR 16.936 apresenta detalhadamente as regiões que precisam receber impermeabilização nas construções em woodframe.


A especificação de sistemas de impermeabilização, como membranas líquidas, argamassas poliméricas ou sistemas elastoméricos, deve atender às diretrizes estabelecidas pelas ABNT NBR 9575 e ABNT NBR 9574, considerando as particularidades do sistema construtivo. O uso de chapas de gesso resistentes à umidade, conforme a ABNT NBR 14715-1, é fundamental em ambientes internos sujeitos à presença frequente de água e vapor.


O detalhamento das interfaces entre pisos, paredes, ralos e elementos sanitários é determinante para o desempenho do sistema. A impermeabilização deve ultrapassar os pontos críticos dessas interfaces, garantindo a proteção adequada das camadas inferiores e dos elementos estruturais.


Fachadas, rodapés e interfaces com o solo

Nas fachadas e nas regiões de contato com o solo, a proteção contra a umidade deve considerar tanto a ação da água de chuva quanto a umidade ascendente. A utilização de membranas impermeáveis, mantas asfálticas ou fitas de vedação do tipo flashing contribui para proteger a base das paredes e os pontos de transição entre sistemas construtivos.


A elevação adequada das chapas de fechamento em relação ao nível do solo, associada à execução correta de calçadas e sistemas de drenagem, reduz significativamente o risco de exposição prolongada da madeira à umidade. Esses cuidados devem estar claramente definidos em projeto e compatibilizados com as exigências de uso, manutenção e acessibilidade da edificação.


Projeto, execução e controle técnico

No sistema Wood Frame, a impermeabilização não deve ser tratada como uma decisão tomada no canteiro de obras. A elaboração de um projeto de impermeabilização detalhado, compatibilizado com os projetos arquitetônico, estrutural e hidrossanitário, é essencial para garantir o desempenho e a durabilidade da edificação.


A execução deve ser realizada por profissionais capacitados, familiarizados com as normas técnicas aplicáveis e com as particularidades do sistema. O controle da umidade durante a fase construtiva também é um aspecto relevante, sendo fundamental evitar a exposição prolongada da madeira à chuva e reduzir o tempo entre a montagem dos painéis e a execução da cobertura e dos fechamentos.


Considerações finais

A impermeabilização e o controle da umidade no sistema Wood Frame são aspectos indissociáveis do desempenho global da edificação. A adoção de soluções técnicas adequadas, fundamentadas nas normas brasileiras vigentes e integradas desde a fase de projeto, é determinante para assegurar a durabilidade, a segurança e a qualidade das construções.


Ao tratar a umidade como um parâmetro técnico central — e não como uma condição acessória — o Wood Frame se consolida como um sistema construtivo plenamente compatível com as exigências contemporâneas da construção civil brasileira, tanto em edificações residenciais quanto em projetos de maior complexidade.


FAQ - Questões técnicas sobre impermeabilização no Wood Frame


A impermeabilização no Wood Frame difere da utilizada em outros sistemas construtivos?

Os princípios gerais de impermeabilização são comuns a diferentes sistemas construtivos. No Wood Frame, entretanto, o detalhamento das interfaces e a organização das camadas construtivas assumem papel central, exigindo soluções integradas de vedação, drenagem e ventilação, conforme as diretrizes da ABNT NBR 16936.


É suficiente impermeabilizar apenas áreas molhadas, como banheiros e cozinhas?

Não. O controle da umidade no Wood Frame envolve também fachadas, rodapés, interfaces com o solo, transições entre sistemas construtivos e pontos de passagem de instalações. A durabilidade do sistema depende da abordagem global dessas interfaces.


Quais normas técnicas orientam a impermeabilização no Wood Frame?

A impermeabilização deve atender de forma integrada às diretrizes da ABNT NBR 16936, aos requisitos de desempenho da ABNT NBR 15575 e às normas específicas de impermeabilização, como a ABNT NBR 9575 e a ABNT NBR 9574. Para ambientes internos, também são aplicáveis normas relativas aos materiais de fechamento, como a ABNT NBR 14715-1.


O uso de madeira tratada elimina a necessidade de impermeabilização?

Não. O tratamento preservativo da madeira é uma medida complementar de proteção, mas não substitui as soluções de impermeabilização e controle da umidade. A durabilidade do sistema depende da combinação entre madeira adequada, proteção contra a água, drenagem eficiente e ventilação.


A impermeabilização pode ser definida apenas na fase de obra?

Não é recomendável. No Wood Frame, a impermeabilização deve ser definida em projeto, com detalhamento claro das soluções, materiais e interfaces construtivas. Decisões tomadas exclusivamente em obra tendem a comprometer a eficiência do sistema de proteção contra a umidade.


Qual a relação entre controle de umidade e desempenho segundo a NBR 15575?

O controle adequado da umidade está diretamente associado à durabilidade, segurança e desempenho global da edificação. A exposição prolongada da madeira à umidade pode comprometer o desempenho estrutural e funcional, afetando o atendimento aos critérios de segurança ao longo da vida útil do edifício.

 

 
 
 

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